VIDA MARINHA - Peixe-lua  (Mola mola)

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Texto: Armando de Luca Junior PDIC 75001
Fotos: Luciana Marçal

Esta singular espécie de peixe pode em algumas situações aparecer para os mergulhadores. A sua posição na sistemática biológica é a seguinte:

Filo: Chordata (animais que possuem um eixo de sustentação denominado notocorda, fendas faríngeas e cordão nervoso dorsal em alguma fase da vida).

Superclasse: Pisces (animais aquáticos que têm nas nadadeiras seu principal meio de locomoção).

Classe: Osteichthyes (peixes que, entre outras características, possuem esqueleto basicamente ósseo).

Ordem: Tetraodontiformes (o grupo onde encontramos os baiacus, peixes-cofre, peixes-porco, etc).

Família: Molidae (pequeno grupo representado por apenas três espécies: Mola mola, Mola lanceolata e Ranzania laevis, sendo as duas últimas pouco comuns).

O peixe-lua tem forma arredondada, quase discóide e o corpo achatado, podendo ultrapassar a altura de 3,0 metros e pesar cerca de duas toneladas. A nadadeira dorsal é grande e triangular, semelhante à anal que é da mesma forma, um pouco menor.  Possui duas nadadeiras peitorais semelhantes a orelhas e a base da caudal é reta. A boca e os olhos são pequenos e todo corpo é coberto por uma pele muito espessa e áspera, mas sem escamas. Abaixo da pele existe uma grossa capa de tecido de consistência cartilaginosa, formando assim uma espécie de couraça. Seu corpo possui coloração cinza-prateada lateralmente, quase branca no ventre  e azulada no dorso. Sua reprodução ocorre com a fêmea liberando milhões de ovos, que originam uma larva com o corpo coberto por espinhos (Figura extraída de Guía de Los Peces de Mar del Atlántico y del Mediterráneo, B. J. Muus e P. Dahlström, Ed. Omega).

Trata-se de um peixe oceânico que ocasionalmente pode ser encontrado na zona costeira, vivendo na coluna d’água (pelágico) desde a superfície até cerca de 600m de profundidade.  Como passa boa parte do tempo se alimentando em águas profundas, escuras e frias, costuma vir à superfície eventualmente em busca de águas mais aquecidas, onde pode ser auxiliado por outros peixes e até gaivotas na remoção de seus parasitas da pele. Acredita-se inclusive que em algumas regiões do oceano já tenha sido criado um hábito simbiótico entre o lua e as gaivotas. O peixe fica na tona d’água em posição lateral, sendo esse o sinal para a vinda das gaivotas, que se aproximam e capturam os crustáceos parasitas que infestam a pele do lua.

Além de viver constantemente parasitado na pele, suas brânquias, olhos, intestinos e músculos, são também infestados por uma variedade de outros parasitas, entre eles copépodes, cirrípedes, trematódeos, helmintos, nematódeos, cestódeos, filárias e outros. 

Muitas vezes, quando próximo á superfície, expõe sua enorme nadadeira dorsal, que muitos confundem com a dorsal de um tubarão quando vista à distância. Os encontros com os peixes dessa espécie não são muito freqüentes, mas ocorrem principalmente durante a navegação. Em operação de mergulho no litoral santista, já tivemos vários encontros e, em algumas ocasiões, paramos a embarcação ao lado do lua, que permitiu a aproximação de alguns mergulhadores em “snorkeling”. Como sempre é bom salientar que a atitude calma, sem postura agressiva, apenas contemplando o peixe, faz com que a curiosidade do animal o aproxime das pessoas naturalmente. Em uma única oportunidade, em dezembro de 2002, mergulhando no Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, dois pequenos exemplares, com cerca de 50 a 60cm, surgiram à nossa frente. A grande quantidade de parasitas sobre a pele pode ser facilmente notada e um cardume de pirajicas perseguia os dois lua atacando os crustáceos infestantes. Apesar de estarem limpando a pele dos lua proporcionando um alívio, a voracidade das pirajicas era tanta diante do banquete gratuito, que os afastou e o encontro foi breve, mas a mergulhadora Luciana Marçal teve a felicidade de fotografar esse raro encontro. 

Armando de Luca Junior é biólogo e Instrutor PDIC em Marine  Life.