O Salvamento Terrestre e o Sistema de Emergências Médicas

Roberto Trindade

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INTRODUÇÃO

A história dos Sistemas de Emergências Médicas teve seu início em 1966 nos EUA, quando foi publicado um estudo a respeito dos índices estatísticos de vítimas de trauma que foram atendidas de forma adequada.

Daí então, o governo americano adotou uma política para desenvolver um sistema de atendimento de emergências eficiente.

A criação de um telefone único para chamadas de emergências (911), programas de treinamento, padrões de equipamentos e de veículos para atendimento de emergências foram os passos seguintes.

Além disso, os programas dos MASH da Guerra do Vietnã haviam ensinado técnicas de emergências médicas a diversos soldados, objetivando estabilizar os sinais vitais dos feridos no próprio campo de batalha e posteriormente remove-los para tratamento definitivo.

O número de soldados sobreviventes aumentaram, assim como aumentou a qualidade de vida dos sobreviventes.

Desse programa surgiu a iniciativa governamental e finalmente em 1972, o presidente dos EUA delegou ao Departamento de Saúde daquele país a atribuição de desenvolver novas técnicas e organizar o Sistema de Emergências Médicas.

Hoje o Sistema de Emergências Médicas constitui-se na integração de várias entidades especializadas com diversas atribuições específicas.

Em função das condições adversas da natureza e da imprudência das pessoas determina-se cada vez mais que as comunidades do mundo inteiro criem serviços para atendimentos de emergência.

Em nosso país, os profissionais que atuam na área variam conforme a região bem como pela empresa contratante e incluem desde militares até civis como médicos, enfermeiros, técnicos de emergências médicas e voluntários treinados para o desempenho da função.

Atualmente o conceito mais moderno compara o Sistema de Emergências Médicas a uma corrente, onde todos os elos tem uma função a cumprir.

O primeiro elo corresponde ao cidadão comum. É o elo mais importante, pois a ele compete a identificação de um acidente ou mal súbito, proteger a si mesmo e aos demais espectadores, além do primeiro atendimento adequado e do acionamento do resgate profissional.

O segundo elo corresponde aos profissionais tais como professores, policiais militares, instrutores de academias, motoristas de transportes coletivos, comissários de bordo e outros que se responsabilizam diariamente pelo bem-estar de diversas pessoas.

O terceiro elo é composto pelos técnicos de emergências médicas, competendo aos mesmos o resgate e a remoção das vítimas para ambiente hospitalar.

É também de sua competência acionar outros serviços públicos especializados se necessário for.

DEFINIÇÕES

As atividades de resgate de vidas humanas, salvamento de animais e patrimônios , prevenção de acidentes e resgate são denominadas de salvamento.

Compreende-se por salvamento terrestre todas as operações cujos atendimentos são realizados no solo.

Estas ocorrências necessitam de conhecimento dos equipamentos e das técnicas para seu adequado emprego.

Importante é esclarecer que devido a abrangência dos atendimentos executados podemos classificar as ocorrências em urgentes e não urgentes.

Entendemos por ocorrências urgentes aquelas em que estão envolvidas vidas de pessoas, animais, patrimônios valiosos e importantes.

Consideramos como ocorrências não urgentes aquelas em que não existe presente o perigo à vida ou risco iminente de destruição que possa acarretar outros acidentes.

Equipamentos de Proteção Individual no Salvamento Terrestre

O Socorrista Profissional utiliza EPI correspondente aos riscos das operações de salvamento em que está envolvido. O EPI traz confiança e melhor desempenho na atividade.

O profissional treinado sabe que não deve correr riscos desnecessários e precisa estar consciente da importância do correto uso dos equipamentos de proteção.

São considerados equipamentos de proteção individual:

Avental, que proporciona proteção ao tórax e o abdômen contra corpos estranhos e substâncias contagiosas;

Diferentes tipos e modelos de botas, que conferem proteção aos membros inferiores.

Bota comum: protegem os pés e as pernas contra objetos perfurantes, cortantes e substâncias químicas;

Bota de borracha: protege o socorrista contra a umidade, as substâncias químicas e proporciona maior isolamento à eletricidade.

Capas que protegem o tronco e o abdome contra o frio, a umidade e o calor;

Capacete que protege a cabeça contra impactos, perfuração, fogo, e eletricidade.

Possui no seu interior uma armação que amortece os impactos.

Possui também visores que protegem os olhos contra partículas e calor.

Equipamentos de proteção respiratória: protegem os pulmões dos gases nocivos;

Luvas que protegem as mãos contra elementos agressivos. Podem ser de diversos materiais com finalidades específicas:

Luva de amianto: protege as mãos contra material aquecido;

Luva de borracha: protege as mãos contra eletricidade

Luva de látex: protege as mãos contra substâncias possivelmente contagiosas, sangue e outros fluidos corporais;

Luva de nitrílica: protege as mãos contra substâncias químicas e graxas, dando maior aderência e firmeza as mãos ;

Luva de PVC: protege as mãos contra substâncias químicas;

Luva de raspa: protege as mãos contra objetos cortantes e/ou perfurantes;

Luva para trabalho pesado: confeccionada de borracha e revestida externamente de raspa, e especialmente útil nos trabalhos com cabos energizados.

Óculos: protegem os olhos contra corpos estranhos e luminosidade excessiva.

Roupas especiais: protegem o corpo contra agressões do ambiente.

Essas roupas podem proteger o corpo contra calor, gases e líquidos contaminantes, sendo específicas para cada caso. Ex.: roupa de aproximação aluminizada, de nomex (protegem do calor), roupa para gases e líquidos contaminantes etc.

Cabo de vida: é um cabo solteiro feito de material sintético de 12mm de diâmetro e 6 metros de cumprimento, com resistência a ruptura de 2.000 Kgf. Esse cabo tem a finalidade de servir como segurança básica para trabalhos diversos, sendo utilizado juntamente com um mosquetão de segurança com fecho em rosca interna.

Tipos de Ocorrências no Salvamento Terrestre e Algumas Considerações

Desastres, classificados em Ferroviário, Rodoviário ou Aeroviário.

Nos Desastres Aeroviários deve-se atentar para os perigos de explosão devido a grande quantidade de combustível presente.

A principal norma de ação nestes casos, reside na rapidez em retirar as vítimas.

Já nos Desastres Rodoviários e Ferroviários, as vítimas só devem ser retiradas imediatamente dos escombros se houver perigo de incêndio, ou se suspeitar que elas correm risco iminente de vida.

Desabamentos de estruturas artificiais como casas, armazéns, pontes e Desmoronamentos de estruturas naturais tais como elevações de terra, morros exigem do socorrista conhecimentos básicos de construção civil, para que sejam aplicados escoramentos com eficiência, ou na sua impossibilidade, executada a demolição sem riscos, das partes em equilíbrio aparente.

Denomina-se Soterramento quando encontramos vítimas sob escombros resultantes de desabamentos ou desmoronamentos.

Nesses casos o socorrista deve usar o bom senso, apoiando todas as partes que ameaçam ruir ou deslizar, ao mesmo tempo em que deve continuar o trabalho de liberação.

Operações em poços e locais contaminados com gás como cisterna ou fossas : Deve -se ter em conta dos riscos nestes locais. A contaminação do ambiente por metano e outros gases produzidos pelo homem no trabalho de escavação representam um perigo em potencial.

Retirada de pessoas e/ou animais em locais de difícil acesso: devem ser retirados utilizando-se técnicas de imobilização conjugadas com sistemas multiplicação de força.

Captura de animais: deve ser feita com o máximo de cuidado possível para que o socorrista não venha a se ferir.

Extermínio de insetos: deve ser feito apenas nos casos em que a captura não seja possível e que haja perigo para a população.

A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO

Desde o momento de um acidente até a chegada do resgate, passará um tempo resposta chamado HORA DE OURO.

Portanto, enquanto o resgate não chega, é o cidadão comum com treinamento de Primeiros Socorros que prestará o atendimento.

Infelizmente, sabe-se que leigos causam mais danos do que benefícios.

Assim sendo o treinamento do cidadão comum torna-se imperativo para o funcionamento dos outros elos da cadeia de sobrevivência.

SALVAMENTO TERRESTRE E O SISTEMA RESGATE

Nos dias atuais, nos grandes centros de nosso país, a atividade de Busca e Salvamento possuem um apoio significativo que é o Sistema de Resgate.

Essa equipe multidisciplinar conta com materiais e equipamentos modernos e um corpo de socorristas preparados para a missão de salvamento terrestre em desastres.

Com tal estratégia, o Corpo de Bombeiros passou a assistir melhor a sociedade com um serviço altamente especializado.

FUNCIONAMENTO DO SISTEMA RESGATE

O sistema é composto por viaturas tripuladas com socorristas e viaturas tripuladas com médicos e enfermeiros.

As viaturas estão classificadas em:

Unidade de Resgate (UR) e Unidade de Suporte Avançado (USA).

As UR são tripuladas por socorristas do Corpo de Bombeiros os quais são Técnicos em Emergências Médicas e atuam nos chamados de menor gravidade e devem seguir as orientações constantes no Protocolo de Atendimento Pré-hospitalar onde constam os mais modernos e principais procedimentos a serem observados no socorro à vítima.

Ao socorrista compete prestar o Suporte Básico de Vida ao paciente no local do acidente bem como monitorar sinais vitais fornecendo ao médico controlador da Central de Operações informações vitais para que este determine as medidas mais adequadas para cada caso.

As USA são tripuladas por médicos e enfermeiros civis contratados pela Prefeitura.

A eles compete cuidar dos casos mais graves oferecendo Suporte Avançado de Vida.

Aos mesmos compete também a triagem das vítimas em caso de acidente de massa.

A USAdeve ser acionada mediante alguns critérios específicos:

quando o paciente que sofreu um problema cardíaco e o transporte para o hospital for exceder a 10 minutos;

quando um paciente crítico for demorar mais de 20 minutos para ser transportado.

Quando a USA não deve ser chamada:

quando o tempo total de transporte pela UR for menor que 10 minutos;

quando se tornar aparente que do local da ocorrência até o hospital se gastará menos de 10 minutos.

Cabe esclarecer que a área de atuação das Unidades de Resgate compreende além do salvamento terrestre, o salvamento na água e em altura.

Esta atividade está diretamente ligada às outras atividades de busca de salvamento do nosso glorioso Corpo de Bombeiros.