Alimentação correta para quem vai mergulhar

Paulo Guilherme Alves (Pingüim) - Instrutor Master PDIC # 11929

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Você decide mergulhar um dia inteiro em um barco alugado e tem a missão de levar o lanche de bordo. Como bom mergulhador Arraso que é, está pensando no que é mais apropriado levar. Se você leu o artigo “A importância do condicionamento físico para mergulhadores, sabe que o gasto de energia pode ser muito grande durante um mergulho, seja enfrentando uma correnteza inesperada, água fria ou mesmo nadando loucamente atrás de uma tartaruga para fotografá-la. Para dar conta de tudo isso, você precisa de um bom condicionamento físico. E de energia!

Agora vamos pensar: realizar dois, três ou mais mergulhos no mesmo dia consome muita energia, energia esta que precisa ser reposta de modo rápido para suprir o seu próximo mergulho. É aí que surge a pergunta: que tipo de alimento repõe corretamente a energia entre os mergulhos?

O combustível correto durante os mergulhos deve ser pobre em gordura e rico em complexos carboidratos, pois estes são fonte segura e rápida de reposição energética para o nosso organismo. E o alimento ideal não precisa conter muito açúcar (apesar de alguns acharem que para uma pessoa envolvida em atividade física pesada, não há diferença entre açúcar e carboidrato. Outros dizem que o açúcar pode mascarar temporariamente uma situação de hipoglicemia). Mas o principal problema de doces industrializados é que eles sempre vêm acompanhados de altas taxas de gordura. Verifique na embalagem.

E por falar em taxas, vamos aprender a calcular as porcentagens de energia dos alimentos expressas em suas embalagens:

  • A gordura vem expressa em gramas – multiplique este número por nove para saber quantas calorias ela vale. Divida pelo total calórico do alimento e você terá a porcentagem de calorias oriundas de gordura deste alimento;
  • Os carboidratos também são apresentados em gramas – multiplique por quatro e ache suas calorias. Divida este número pelo total calórico para saber a porcentagem de calorias oriundas dos carboidratos.

Depois de feitos os cálculos, escolha os alimentos que contém a maior porcentagem de energia de carboidratos e menor de gordura.

Até aí foi fácil, não é? Só que o alimento ainda tem que ser barato, prático e, o mais importante de tudo, gostoso. Será que sua escolha, além de adequada caloricamente, pode ser jogada na bolsa de mergulho, amassada pelo equipamento, molhada e ainda assim você querer comer? Problema sério, não?

Uma escolha óbvia são os alimentos produzidos especialmente para atletas: barras de cereais e géis (que para mim mais parecem pudim líquido). Estes matam a fome e recarregam a energia maravilhosamente, além de não serem volumosos no estômago, o que ajuda a evitar enjôos.

Frutas com certeza são as melhores opções em termos de custo x benefício. Só que amassam, precisam ser lavadas, colocadas no gelo para não estragar, etc. Uma boa solução são as frutas secas, das quais a campeã é a banana; ela é praticamente só carboidrato, sem gordura e cai bem no estômago até mesmo de quem está meio mareado.

Dos sanduíches, o que escapa mesmo é o pão, mas mesmo ele tem gordura e açúcar. Se for integral aí ele se salva.

Biscoitos? Os doces sempre têm altas taxas de gordura; e os salgados dão vontade de comer algo doce. Ciclo vicioso. Como solução existem os naturais, lights, diets.

Mas não vamos radicalizar! Afinal, uma operação de mergulho é lazer, não internação em spa.

É tudo uma questão de bom senso, e lembre-se: a primeira qualidade de um mergulhador Arraso é a Atitude!

Bons mergulhos e até a próxima.