Teste hidrostático não detecta fissura nos cilindros Antônio LibertinoCopyright © . Todos os direitos reservados. Recentemente, o instrutor trainer Antônio Libertino (Pardal) relatou um fato ocorrido nas dependências de sua loja no Rio de Janeiro (Squalo), que serve de alerta para todos os profissionais e mergulhadores. Em breve teremos mais novidades sobre o assunto. Um cilindro Luxfer fabricado em 1986 e com teste hidrostático de 11/99, apresentou uma fissura em seu pescoço durante a recarga ao atingir a pressão de 2.400 psi. Por não ser a primeira vez que vejo este tipo de problema, este, em particular, me chamou a atenção pela intensidade do vazamento. Imediatamente o cilindro começou a ser esvaziado parando de vazar aos 2.000 psi. Talvez se ele tivesse chegado aos 3.000 psi ou estivesse sendo recarregado com um compressor de alta vazão, não teríamos a mesma sorte. Como todos sabem, os cilindros Luxfer anteriores a 1990 necessitam de atenção especial, pois foram produzidos com uma liga de material diferente dos mais modernos. Quanto ao teste hidrostático, de pouco adianta nestes casos, pois para detectar este tipo de problema são necessários testes mais específicos. Durante o ensaio hidrostático temos algumas situações que vale a pena relembrarmos. O MÉTODO Consiste em colocar o cilindro dentro de uma camisa d’água, provida de conexões apropriadas. Aplica-se uma pressão no interior do cilindro (normalmente 5/3) acima da pressão de trabalho e mede-se a expansão volumétrica total, alivia-se a pressão interna e mede-se a expansão volumétrica permanente. Calcula-se a expansão elástica, cujo aumento significa a redução da espessura média da parede do cilindro. • ET - expansão volumétrica total: é o aumento de volume sofrido pelo cilindro quando submetido à pressão máxima do teste hidrostático e medida pelo deslocamento do nível da água na bureta do equipamento de teste. • EP - expansão volumétrica permanente: é o aumento do volume que permanece no cilindro mesmo após a despressurização do teste hidrostático. • EE - expansão elástica: volume calculado pela diferença entre o valor da expansão volumétrica total e o valor da expansão volumétrica permanente. Após obter estes valores é calculada a EP percentual multiplicando-se o valor medido na EP por 100 e dividindo o resultado pelo valor da ET. Caso este valor não ultrapasse 10%, o cilindro é considerado "aprovado". Acontece que pequenas fissuras dificilmente são detectadas neste teste, pois a água é um meio muito mais denso que o ar, ou seja, a água que está sendo pressurizada dentro do cilindro dificilmente irá transpor a fissura, não alterando a quantidade de água na bureta. Quanto ao teste hidrostático, ele apenas avalia os ciclos de vida e a elasticidade do material, não sendo o suficiente para uma correta e segura utilização do cilindro. Inspeção visual detalhada, inspeção de rosca e teste de ultra-som, são indispensáveis para uma segura utilização do equipamento, bem como, encher os cilindros d’água para identificar vazamentos e construir tanques de recarga que ofereçam proteção (concreto com ferragens). Apenas o teste hidrostático não é suficiente para garantir a nossa segurança. Antônio Libertino é instrutor trainer PDIC, instrutor GUE e diretor da Squalo. |